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Procura por bikes explode na pandemia e gera lista de espera em lojas

Ao contrário de outros produtos, bicicletas ganharam impulso com a pandemia e o distanciamento, por lazer, economia ou fuga de aglomerações

Em Monte Alegre de Minas várias Associações apoiam a prática do Ciclismo, como o Pedal Monte, Roda Presa, entre outras. 

Na contramão de diversos segmentos do varejo, que se esforçam para sair do atoleiro imposto pela pandemia de COVID-19, o das bicicletas pedala livre e em alta velocidade pelo mercado brasileiro. O setor vive uma expansão inédita, alavancado pelas mudanças comportamentais decorrentes do isolamento social.

Quem sai à procura do produto sente os reflexos deste aquecimento. As bikes estão mais caras e, principalmente, escassas, já que a cadeia de fornecimento de insumos, concentrada na China, enfrenta dificuldades para atender ao aumento da demanda global.

Nas lojas de Belo Horizonte, dependendo do modelo escolhido, o consumidor adquire o produto, mas não pode sair pedalando. Precisa entrar em longas listas de espera e aguardar até seis meses para receber seu objeto de desejo.

Disparada

Dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, a Aliança Bike, apontam crescimento de 50% nas vendas no país em 2020 em relação ao ano anterior. Em números absolutos, isso significa que o consumo médio anual saltou de 4 milhões para 6 milhões de unidades.

O pico de vendas ocorreu em julho do ano passado, quando a procura pelo item aumentou 118% na comparação com o mesmo mês de 2019. As mais vendidas são as chamadas bikes de entrada, voltadas para o público iniciante, cujos valores oscilam entre R$ 800 e R$ 2 mil.

“Este é um cenário influenciado por diversos aspectos da pandemia, entre eles o risco oferecido pelas aglomerações no transporte público. A bicicleta, uma vez que é de uso individual, é um veículo muito mais seguro”, avalia Daniel Guth, diretor-executivo da Aliança Bike. “Tem também o fato de que o isolamento social fechou parques, praças e academias. Muita gente recorreu à bike como opção segura de lazer e esporte”, acrescenta.

O dirigente menciona ainda a economia proporcionada pelo equipamento, sobretudo diante da alta dos combustíveis. Nos últimos 12 meses, derivados de petróleo ficaram até 65% mais caros.

“É um alívio muito significativo no orçamento das pessoas neste momento de crise, e nossos indicadores de uso refletem isso. Cerca de metade dos consumidores que adquiriram bicicletas em 2020 usam seus equipamentos principalmente para trabalhar”, afirma Guth. Em seguida, enumera, vêm aqueles que pedalam para se exercitar ou passear. Outra parcela significativa é a dos praticantes de mountain bike (ciclismo praticado em montanhas ou terrenos irregulares).

Nas fábricas brasileiras, a produção também segue em ritmo acelerado. De janeiro a maio deste ano, o Polo Industrial de Manaus produziu 288.943 bicicletas, alta de 42,6% frente ao mesmo período do ano passado. Os números são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). E, até o fim de 2021, a entidade projeta que serão montadas 750 mil unidades, 12,8% a mais que em 2020.

Demanda deixa até chineses para trás

O efeito colateral dessa corrida repentina pelas pedaladas é, paradoxalmente, mais bikes na rua e escassez no mercado. Daniel Guth, diretor-executivo da Aliança Bike,  explica que o aumento da busca pelas magrelas é um fenômeno global. Com isso, as indústrias chinesas, que produzem 80% dos componentes usados na fabricação do produto, não têm dado conta de atender à demanda das montadoras. Entre os insumos mais escassos ele enumera câmbios, freios, suspensões e selins. “A previsão mais otimista é de que a situação seja normalizada em 2023”, projeta o gestor.

Os preços também seguem ladeira acima, mas os aumentos, sustenta Guth, não estão relacionados à desproporção entre oferta e procura, tampouco à  falta de insumos. Segundo o diretor-executivo da Aliança Bike, os valores são pressionados sobretudo por três outros fatores.

O de maior peso é a alta do custo do frete marítimo, que quadruplicou durante a pandemia. O segundo é o valor da matéria-prima – no caso, aço, alumínio e plástico, que sofreram reajustes de até 200% nos últimos 12 meses.

Por fim, a alta do dólar, que, em maio de 2020, chegou a ser comercializado a R$ 5,90, aumentando consideravelmente o preço dos componentes das bikes, em sua maioria importados.

Gerente da Ciclovia, loja de bicicletas situada no Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste de BH, Marcos Vargas diz que manter os estoques abastecidos tem sido um desafio desde o início da pandemia.

“No geral, temos conseguido atender a clientela, mas tivemos que diversificar bastante os fornecedores, fazer pedidos muito maiores. Para se ter uma ideia, fizemos uma compra com a Caloi em junho do ano passado e eles só vão conseguir entregar em agosto deste ano”, conta o gestor.

FILA Para alguns modelos de bicicleta – sobretudo os de configuração média e avançada, mais procuradas por ciclistas experientes –, a Ciclovia abriu lista de espera. Segundo Vargas, a fila já tem 113 nomes. Há produtos que só devem estar disponíveis no fim do ano.

“Para as bicicletas elétricas, criamos uma lista à parte, que já tem mais ou menos 20 pessoas. O modelo mais desejado custa R$ 37 mil”, diz o gerente.

Em um ano, o reajuste médio dos produtos oferecidos pelo estabelecimento é estimado em 25%, incluindo acessórios, tais como capacetes, luvas, garrafas d’água e suportes.

“Os acessórios também se tornaram itens bem difíceis de encontrar no mercado. Para garantir o abastecimento, tivemos que fazer uma compra enorme, que o fornecedor vai nos entregando aos poucos. Peças para bicicleta, nem se fala. Itens como freios e transmissões, dos quais, antes, tínhamos, no mínimo, 40, 50 unidades disponíveis por modelo, tornaram-se raridade. É a primeira vez que vivemos uma situação como esta”, descreve Vargas.

Manobras cortam caminho até a bike

Para fugir das longas filas de espera, iniciantes e veteranos do ciclismo relatam as mais diversas manobras. A do analista de sistemas Rodrigo Campos Rosário, que começou a praticar mountain bike há cerca de oito meses, foi montar sua própria magrela.

“Foi muito difícil achar uma bicicleta com quadro tamanho 21, o meu tamanho. Só achei em uma loja, pela internet e, mesmo assim, não era a que eu queria. Tive que comprar e trocar praticamente todas as peças depois”, diz o ciclista amador.

O mecânico Roberto Souza trocou a bike em agosto do ano passado, quando optou pelas pedaladas como meio de transporte para o trabalho. Para encontrar o modelo que desejava com rapidez e bom preço, ele diz recorreu ao mercado de usadas.

“Comprei uma seminova, mais potente do que a que tinha anteriormente, e que me atende superbem”, diz o profissional. “A corrida às lojas está uma loucura. Tem muita gente trocando o carro pela bicicleta para ir ao trabalho. Quando tomei essa decisão, foi por necessidade, pois perdi o emprego logo no início da pandemia e precisei vender o automóvel para ajudar a manter a família. Agora estou empregado de novo, mas continuo com a magrela. Não largo mais.”

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